“Muito Prazer: HOMEM de Desinova!”

Hominídeos de Denisova, descobertos a partir de um dente e uma falange na Sibéria, teriam ajudado a povoar ilha do Pacífico
Publicado em 08/01/2011 | The New York Times:

 Um dente e um osso de dedo encontrados numa caverna da Sibéria conduziram paleontólogos à conclusão de que a diversidade humana há 100 mil anos era muito maior do que se pensava. E, graças aos avanços nas técnicas de análise de DNA, à descoberta de que os ho­­mens de Denisova, como ficaram co­­nhe­­cidos os antigos habitantes do que hoje é a Rússia, legaram parte de sua herança genética aos atuais habitantes da Nova Guiné, ilha ao norte da Austrália.
Os denisovanos seriam ancestrais dos homens de Neandertal, descobertos primeiro na Alemanha. Eles teriam vivido na Ásia, entre 400 mil e 50 mil anos atrás, e procriado com os ancestrais dos atuais habitantes do Pacífico.
Tudo que os hominídeos de Denisova deixaram para trás foi o osso de um dedo e um dente do siso, numa caverna da Sibéria. Mas os cientistas conseguiram obter seu genoma completo a partir desses escassos itens. Uma análise desse DNA antigo, publicada recentemente na revista Nature, revela que os genomas do povo da Nova Guiné, situada ao norte da Austrália, contêm 4,8% de DNA do hominídeo.
Para Bence Viola, do Instituto Max Planck, que realizou a pesquisa, os denisovanos teriam procriado diretamente com o homem moderno.
Uma análise anterior e incompleta do DNA de Denisova havia colocado o grupo como mais distante dos neandertais e dos humanos. Com base nas novas descobertas, os cientistas propõem que os ancestrais do Neandertal e dos hominídeos de Denisova vieram da África, há meio milhão de anos. Os neandertais se espalharam na direção oeste, se estabelecendo no Oriente Próximo e na Europa. Os hominídeos de Denisova foram para o leste. Há cerca de 50 mil anos, eles cruzaram com humanos que se espalhavam da África ao longo da costa sul da Ásia, legando parte de seu DNA a eles.
“Essa é uma descoberta incrivelmente instigante”, disse Carlos Bustamante, geneticista da Universidade de Stanford que não se envolveu na pesquisa.
“Costura” de DNA
A pesquisa foi conduzida por Svante Paabo, geneticista do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária em Leipzig, na Alemanha. Paabo e seus colegas criaram métodos pioneiros para resgatar fragmentos de DNA antigo em fósseis e costurá-los. Em maio, por exemplo, eles publicaram um genoma neandertal completo.
Os atarracados neandertais deixaram uma trilha de fósseis na Europa, no Oriente Próximo e na Rússia, com idades entre 240 mil e 30 mil anos. Analisando o genoma neandertal, Paabo e seus colegas concluíram que humanos e neandertais descendiam de ancestrais comuns, que viveram há 600 mil anos. Mas os cientistas também descobriram que 2,5% do genoma neandertal é mais similar ao DNA de europeus e asiáticos atuais do que ao DNA africano.
Com essa evidência, eles concluíram que os neandertais cruzaram com os humanos logo após saírem da África, há 50 mil anos. O sucesso de Paabo com os fósseis neandertais europeus inspirou ele e seus colegas a realizar buscas mais amplas.
Passo a passo
Quando Paabo recebeu o fragmento de osso de dedo do homem de Denisova, derrubou a tese de que o fóssil, de mais de 50 mil anos de idade, teria pertencido a um dos humanos mais antigos a viver na Sibéria.
A equipe de Paabo isolou um pequeno grupo de DNA a partir da mitocôndria do osso, as estruturas geradoras de energia dentro de nossas células. Paabo e seus colegas ficaram surpresos ao descobrir que o DNA de Denisova era bastante diferente daquele dos humanos ou neandertais. “Ver que ele era diferente desses dois grupos foi um grande choque para nós”, afirmou Paabo nu­­ma entrevista.
Paabo e seus colegas iniciaram imediatamente a coletar todo o DNA no osso de Denisova. Assim que haviam sequenciado seu genoma, eles enviaram os dados a pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard e do Broad Institute, em Cambridge, Massachu­­setts, para compará-los a outras espécies.
Os cientistas de Massachusetts concluíram que o osso do dedo pertencia a um ramo hominini que surgiu dos ancestrais do Neandertal, há aproximadamente 400 mil anos. Paabo e seus colegas chamaram essa linhagem de hominídeos de Denisova. Em seguida, os pesquisadores procuraram evidências do cruzamento. Nick Patterson, geneticista do Broad Ins­­ti­­tute, comparou o genoma de Denisova aos genomas completos de cinco pessoas – habitantes da África do Sul, Ni­­géria, China, França e Papua-Nova Gui­­né. Para sua surpresa, um trecho considerável do genoma de Denisova lembrava partes do DNA de Nova Guiné.
Se os hominídeos de Denisova realmente se espalharam da Sibéria ao sul da Ásia, eles devem ter sido um tipo de humano incrivelmente bem-sucedido, pensaram. Apesar de ter obtido o genoma completo de um hominídeo de Denisova, Paabo ainda não sabe dizer muito sobre como eles eram. “Ao sequenciar meu próprio genoma completo, não seria possível deduzir muito sobre minha aparência ou comportamento”, comparou ele. Uma sólida pista sobre a aparência dos hominídeos surgiu em janeiro. Pa­­abo e sua equipe haviam ido a Novo­­sibirsk para dividir seus resultados iniciais com o pesquisador Anatoli Derevianko. Este, então, lhes apresentou um dente do siso da caverna de Denisova.
Bence Viola, paleoantropólogo do Departamento de Evoluçã
o Humana do Instituto Max Planck, que participou da reunião, ficou desconcertado. “Eu olhei para aquilo e disse, ‘Ah, certo, esse não é um humano moderno, e definitivamente não é um Neandertal’”, disse Viola. “Isso estava muito claro.”
O dente tinha laterais estranhamente salientes, e suas grandes raízes se alargavam para os lados. De volta à Ale­­manha, Paabo e seus colegas conseguiram extrair algum DNA mitocondrial do dente. Ele se mostrou uma combinação quase perfeita ao DNA do osso do dedo de Denisova.
Essa compatibilidade oferece alguma esperança de que, se os pesquisadores conseguirem encontrar o mesmo tipo de dente num fóssil de crânio, ou talvez um esqueleto completo, eles conseguirão definir como esses primos e ancestrais se pareciam na vida real.
Bustamante também acha que ou­­tros casos de cruzamentos entre espécies serão descobertos. “Existem muitas possibilidades por aí”, disse ele. “Mas a única forma de chegar a elas é sequenciando mais desses genomas antigos.”

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Irmão mais velho do neandertal, mais novo do homo-sensibilis.
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