O Vexame de Quem Defendeu o Golpe em Honduras!

                                                      Arnaldo Jabor, fazendo o que sabe
por Bruno Ribeiro, no blog A Trincheira  (21/01/2011) 

Se tivéssemos uma imprensa séria e profissional de verdade no país, determinados “comentaristas políticos” já teriam sido despachados e as empresas que eles trabalham veiculariam desculpas públicas pelas asneiras que disseram ou escreveram. Como não são e ainda duvidam da inteligência de quem os lê, vê e ouve, fica tudo por isso mesmo e quem falou ou escreveu a sandice continua ocupando espaço, ignorando solenemente a necessidade de se explicar ao distinto público.

Poderia citar aqui vários jornalistas e comentaristas que usaram os mesmíssimos argumentos, e isso mostra como a maioria reza pela mesma cartilha, mas dentre todos os entoadores de mantra ninguém defendeu o golpe em Honduras com mais paixão e afinco do que Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor.
Quando em 2009 os milicos tomaram o poder em Honduras, expulsando o presidente eleito legitimamente, a opinião pública internacional condenou de imediato. O comportamento da imprensa nacional foi esquizofrênico, fazendo eco a princípio com a reação internacional, mas logo em seguida mudando lentamente de posição, até defender abertamente a “legalidade” de um vergonhoso golpe de estado.
Assim que o Brasil assumiu posição de protagonista ao enfrentar os golpistas e dar abrigo ao presidente legítimo na sua embaixada em Tegucigalpa, esse pessoal que ficou responsável por defender a legitimidade do golpe frente à opinião pública brasileira começou a repetir os argumentos fajutos dados pelos golpistas para tentar justificar o atentado contra a democracia daquele país.

 Afirmaram enfaticamente que o golpe era legítimo porque Zelaya tentara mudar a constituição. Na verdade, o que Zelaya tentou fazer foi um plebiscito onde a população decidiria se o presidente poderia ser reeleito ou não. Muito mais democrático do que tentar o mesmo através de emenda constitucional, sem respaldo popular como fez FHC em 1997.


A desculpa oficial para justificar o golpe era uma cláusula pétrea na constituição que impedia a reeleição do presidente, portanto passaram a defender que não existiu golpe nenhum, e da mesma forma que vivem tentando reescrever a nossa história, determinaram que o que houve em Honduras em 2009 e no Brasil em 1964 foram “contra-golpes”.
Nem o fato do governo golpista ter fechado TV, rádios e jornais à força, além de ter reprimido com violência manifestações populares mexeu com os brios de quem trabalha com imprensa ou estimulou condenações contra a restrição às liberdades de imprensa. Até a população que protestava contra o golpe e tomou as ruas de Tegucigalpa, chegando a fazer um cerco de proteção à embaixada do Brasil foi classificada como “partidários de Zelaya” e não “dissidentes” como eles costumam classificar opositores de regimes que eles consideram ditaduras.
A humilhação já tinha vindo com uma das revelações do Wikileaks onde o embaixador americano em Honduras classificou o golpe como golpe, simples assim. Logo os EUA, por quem essas pessoas dedicam toda a sua reverência, vem a público ridicularizar suas teorias de “golpe branco”. Naquela ocasião já deveriam ter pedido o boné, como se diz no popular, mas o castigo tinha de ser maior.
Pois bem, nessa semana o governo atual de Honduras, eleito em pleito não reconhecido pela maioria dos países, inclusive o Brasil, e o congresso daquele país aprovaram, em uma ação pouco noticiada pela imprensa brasileira, uma modificação na constiuição que permitirá a reeleição do presidente. Exatamente o que Zelaya tentou fazer e virou desculpa para o golpe de estado.
Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor não vão se explicar, vão continuar com espaço para falar o que o diretor de jornalismo da Rede Globo e os diretores da emissora gostariam de dizer, mas não tem coragem, no entanto, a cada dia mais gente vai entendendo o papel a que essas se prestam.
TEM MAIS, COLEGA:
1. O áudio em que o Jabor tenta popularizar a expressão “golpe democrático”:
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/09/24/O-GOLPE-DEMOCRATICO.htm

2. O artigo em que Merval Pereira cita um misterioso estudo americano para defender a destituição de Zelaya.
“Estudo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos definiu bem a questão: a destituição de Manuel Zelaya do governo foi ‘constitucional’, o mesmo não podendo se dizer de seu exílio forçado.”
http://blogdomiroalves.blogspot.com/2009/09/os-varios-golpes.html

3. O áudio do mesmo Merval, relativizando o golpe de Honduras.
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/12/11/HONDURAS-NAO-FOI-UM-CASO-DE-GOLPE-CLASSICO-E-ZELAYA-NAO-TINHA-O-APOIO-DA-MAIORIA.htm

4. O artigo de Alexandre Garcia sobre o “golpe desferido pela popul
ação” de Honduras.
“O Brasil insiste em ficar na contramão, considerando Zelaya presidente de Honduras. Insiste em dizer que houve um golpe.
“Um estranho golpe latino-americano, que não foi desferido pelas forças armadas, mas pelo Ministério Público, pelo Supremo, pelo Congresso e, por fim, pela própria população, que, no voto facultativo, compareceu às urnas para votar na eleição que Zelaya queria cancelar. 61,3% votaram. Quando Zelaya foi eleito, votaram 52%.”
http://www.midianews.com.br/?pg=opiniao&idopiniao;=806

5. O minieditorial de “O Globo” contra Zelaya.
“JÁ O Brasil sai com a imagem arranhada por ter sido um joguete da tentativa chavista de implantar em Honduras uma ‘república’ bolivariana, ou seja, um regime populista autoritário.”
http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/problema-de-imagem.html

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Irmão mais velho do neandertal, mais novo do homo-sensibilis.
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