Neandertais como nós!

Cientistas encontram cada vez mais semelhanças entre nossos antepassados
 Ciência descobriu homens vaidosos, sensíveis e com jeito para a cozinha:
Em 2010 foram acrescentadas dezenas de páginas à pré-história. Algumas das quais uma surpresa sobre uma população que até aqui se pensava ser intelectualmente inferior. Para os investigadores, não sobram dúvidas de que os Neandertais seriam da mesma espécie que o homem moderno, o homo sapiens, apenas de raça diferente. Um exemplo: cozinhavam vegetais e usavam colares de conchas. Por perceber estarão outros detalhes do quotidiano, em parte por falta de financiamento, afirma ao ig o especialista português João Zilhão. (por Marta F. Reis , Publicado em 19/01/11)  

Depois de décadas de caricaturas – e opiniões contracorrente como a do antropologista norte-americano Carleton Coon, que em 1939 ousou dizer que um Neandertal barbeado, de fato e chapéu, passaria despercebido no metro de Nova Iorque – o Neandertal só começou a receber o respeito intelectual há meia dúzia de anos. João Zilhão, recém-chegado ao departamento de Pré-História da Universidade de Barcelona, explica que a tese de que os Neandertais seriam inferiores aos homens modernos se manteve por exclusão de hipóteses: eram a espécie que não tinha sobrevivido, enquanto os primeiros evoluíram até hoje. “Percebeu-se que as diferenças genéticas que reforçavam a tese de espécies diferentes podem resultar do simples facto de, ao contrário da população actual, esta não ter passado pelos últimos 50 mil anos de evolução”, explica.

Da confirmação das capacidades cognitivas aos vestígios arqueológicos que validaram uma dieta rica em vegetais confeccionados, a vida dos Neandertais tem vindo a somar contornos dignificantes – depois de uma longa passagem pela Europa, entre 300 mil a.C. e 37 mil a.C., segundo a última datação publicada por Zilhão. Penny Spikins, investigadora da Universidade de York, concorda que já não há dúvidas de que sejam da mesma espécie, até pelas evidências de miscigenação. E resume: “Apesar de uma diferença de aspecto exacerbada, por terem vivido um isolamento prolongado, eram uma raça. Contribuíram para o nosso património genético.” O contributo foi visto ao detalhe dos genes em 2010: cada europeu, nos dias de hoje, herda 1% a 4% de DNA Neandertal.

Em aberto:

Ao ig, Spikins explica que desde que descobriu que os Neandertais eram seres sociais – os machos mais unidos – pretendeu descobrir se a sociedade era bem disposta. “Adorava poder saber como eram quando conversavam, para lá da imagem séria com que são retratados sem justificação.” Zilhão espera perceber porque é que em zonas específicas da Península Ibérica, Algarve e Sul de Espanha, terão coexistido com os homens modernos durante um período adicional de 5 mil anos. “Seria um ambiente diferente, recursos diferentes?” E diplomacia? “Para isso acho que nunca teremos resposta.”

Depois do genoma, novas escavações parecem ser a melhor porta para o passado. “Na Península Ibérica só conhecemos uma pontinha do icebergue”, diz o investigador. Em Portugal a situação é catastrófica: “Não há financiamento. Ou descobre-se por acaso ou então quando há obras públicas.” Os vestígios serão abundantes. “Se pensarmos no mundo de há 50 mil anos, viveriam na Península Ibérica metade dos habitantes da Europa. De Paris para cima era tudo gelo.” (Portal Ig)

*bibliogafia sugerida: Os Detetives do DNA.

About superneandertal

Irmão mais velho do neandertal, mais novo do homo-sensibilis.
This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s