Cabeça-falante

Discurso Retórico (“RANT”)
 (by David Byrne*) no journal.davidbyrne.com (27/01/2011)
Outras nações árabes de liderança corrupta estão sendo derrubadas. Primeiro foi a Tunísia, agora Egito, Iêmen e Jordânia estão se insurgindo também. Apesar de milhares de pessoas terem sido espancadas, presas e, provavelmente, torturadas pelas forças de seguraça dos Estados (o governante do Iêmen imediatamente ofereceu um aumento salarial à polícia, que maneira de lidar com os problemas do seu povo!), o encorajador é que uma guerra civil não tenha estourado nestes países. Tudo tem sido pacífico, relativamente falando. A destituição do déspota tunisino foi feita sem que o país mergulhasse em uma guerra civil. Que não se diga isso daqueles que foram espancados e torturados, bem o sei, mas não há comparação possível com o que aconteceu com El Salvador ou Nicarágua, onde os EUA financiou e apoiou guerras a fim de reinstalar ditadores seus aliados, instigando décadas de massacres e conflitos armados. Assim, embora não seja exatamente a “Revolução de Veludo(Checoslováquia), ou mesmo o “Poder do Povo” (Filipinas), não é tão ruim quanto poderia ser, ao menos quanto ao derramamento de sangue.
Sabiamente, os EUA estão, pelo menos, se abstendo de continuar apoiando os maus na maioria desses levantes, ou assim parece (pelo menos até agora), e também não estão exatamente apoiando os manifestantes; defendemos a democracia, mas deixe que se faça acontecer. Como alguns dos manifestantes disseram em entrevista à Al Jazeera: eles não precisam os EUA, eles podem fazer por si próprios.
Isto veio de u
m
dos manifestantes, no Cairo, via Huffington Post:

     Os militares não fizeram nenhuma tentativa para dispersar cerca de 5.000 manifestantes que se reuniram em Tahrir Square, um largo, no coração do centro, o qual os manifestantes ocupam desde a tarde de sexta-feira. Eles violaram o toque de recolher para pedir a destituição do regime do presidente Hosni Mubarak, a quem culpam pela pobreza, desemprego, corrupção generalizada e brutalidade policial.

O Prêmio Nobel da Paz Mohamed El Baradei apareceu na praça, em torno das sete horas:

Vocês são os donos dessa revolução. Vocês são o futuro!”, disse ele à multidão. “Nossa demanda é essencial à saída do regime e início de um novo Egito, no qual cada egípcio viverá a virtude, a liberdade e a dignidade.

O que é mencionado em todas as histórias, nas útimas duas semanas, é que os EUA vêm apoiando e impulsionando esses ditadores criminosos há décadas (a maioria deles têm estado no poder por pelo menos 30 anos). A justificativa para o apoio é a de que estes ditadores são nossos aliados na batalha contra o fundamentalismo islâmico. O presidente egípcio incentiva o medo em relação à Irmandade Islâmica e assegura o apoio dos EUA como resultado disso. A Irmandade Islâmica não é uma organização terrorista, mas devido a seu nome é facilmente retratada como tal, pelo ocidente.
Em décadas passadas, nós apoiávamos monstros porque eles professavam serem anti-comunistas.  
Agora, com a desculpa de que são antiterroristas, fornecemos-lhes armas, e as desculpas de Hillary Clinton (a mais recente em uma longa fila de fabricantes de desculpas). Isto é verdadeiramente contraproducente. Apoio a regimes repressivos é o que origem não só aos jovens que reclamam por reformas, mas também às próprias organizações que estão plantando bombas e pregando o ódio no ensino. Ambas essas partes, os reformistas e os radicais, olham com desconfiança para os EUA,  infelizmente isso é uma ligação comum. As pessoas nesses países sabem que os seus dirigentes têm sido apoiados pelos Estados Unidos, eles não são ignorantes, eles sabem mais sobre isso do que a maioria dos americanos sabe.
Escusado será dizer que, no Afeganistão, Iraque e Irã tampouco há amor pelos EUAos dominós estão caindo. Toda a região está mudando de forma política, e devemos promover as reformas, no sentido de nao  financiar a repressão ainda mais. Os principais produtores de petróleo, Arábia Saudita, Rússia e Nigéria, falam por si: oligarquias corruptas, monarquias ou simplesmente corruptos. Mesmo nós já sabemos que devemos largar as tetas de petróleo o mais rápido possível.  
Em vez de desperdiçar bilhões para fazer inimigos, devemos investir esses bilhões no futuro dos nossos filhos (educação) e em modelos de financiamento de energia alternativa. Cidades inteiras na Suécia reduziram suas emissões de carbono a zero, isso pode ser feito, não é um sonho utópico.
Os montantes que foram gastos sem resultados positivos no Afeganistão e no Iraque são muito incompreensíveis, para que se acredite que não haja ligação entre uma nação com nível crescente de instabilidade, em sua maior parte de fundo financeiro, (Esses são os EUA!), e o dinheiro gasto em guerras ilegais sem fim, é não ver a história sendo repetida. Estas guerras lideradas pelos EUA são financiadas pelo dinheiro emprestado da China (que detém grande parte da dívida dos EUA), alguma dúvida de que os chineses estão pulando na frente? Eu suspeito de que os chineses comecem a travar alguma queda de braço em breve, pois eles querem ter a certeza de que suas dívidas podem ser pagas de volta. E se virem um país em desordem financeira, que não pode pagar suas contas, os chineses podem começar a prescrever como os que têm a casa em ordem, como qualquer banco faria a um detentor de empréstimo em perigo ou perdido. (VERSÃO BRASILEIRA: S. Neandertal)

*Talking-Head, Thinking-Brain:

David Byrne, nasceu em 14 de maio de 1952, Dumbarton, Escócia, Reino Unido. É um músico, compositor e produtor musical, famoso por ter fundado a banda Talking Heads, em 1974, um dos grupos precursores do new wave e worldbeat. Já foi premiados com diversos Grammys. Por seu trabalho como compositor de trilhas sonoras, já recebeu o Óscar e o Golden Globe. Como membro do Talking Heads, Byrne foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame.
Byrne além de músico também é fotógrafo e escritor, seu último livro publicado no Brasil é o “Diários de Bicicleta” (Bicycle Diaries), pelo Selo Amarilys da Editora Manole.
Desde 2007, participa do projeto Brighton Port Authority (ou The BPA), com um grupo formado por diversos músicos britânicos encabeçado por Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim, com quem em 2010, Byrne lançou o álbum Here Lies Love, co-produzido por Cook.  
Ultimamente, lançou Ride, Rise, Roar, documentário dos shows de sua última turnê, dirigido por Hillman Curtis. Publica seus artigos no journal.davidbyrne.com


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Irmão mais velho do neandertal, mais novo do homo-sensibilis.
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